quarta-feira, 7 de março de 2012

Vakyrie: Alma Brilhante parte 1


Valkyrie: Alma Brilhante

“Valkyrie, o que significa isso?”
     Essa é uma frase que costumo ouvir bastante. Quando meu padrasto vê meu boletim, quando minha mãe descobre algumas fotos que tiro com minhas amigas (ou meu namorado)... Mas essa foi especial. Essa mudou minha vida para sempre.
     Tudo começou numa segunda-feira. Eu abri meus lindos olhos âmbar (adoro me gabar disso!) e pensei: “Cara, é hoje...”. Sabe por quê? A primeira coisa que vejo é uma aranha de uns dez centímetros bem na minha cara.
     Não tenho medo de aranhas. Na verdade, não tenho medo de bicho nenhum, mas a desgraçada me deu um susto. Dei um tapa nela, e, tadam, ali estava uma nova decoração de parede. Eba!!! (falsa animação)
     Levantei e chequei o meu quarto. Minha casa é bem grande e bonita, mas o meu quarto é o pior cômodo dela.
É no sótão, a madeira do teto está caindo aos pedaços, meu armário mal cabe de tão baixo que é o pé direito.   Tenho também minha escrivaninha, minha estante (lotada de livros de ficção) e meu colcama. Não estou ficando louca, é colcama mesmo, o negócio é tão baixo que o colchão fica a meio centímetro do chão (eu medi).
     Desci para tomar café. O meu padrasto (que tem cento e cinqüenta e dois de cintura) já estava lá, como de costume, lendo o jornal, com suas meias (fedidíssimas) na mesinha de café. Ele me viu e começou o falatório típico de segunda.
- Bom dia, filha ingrata.
- O que foi agora, Paul?
     Ele já acorda de mau humor, sempre.
- Ouvi você, o que houve, foi raivinha? Nós damos tudo para vocês, e vocês já acordam batendo na parede?
     O quê, ouvido biônico? Que cara idiota, sério, depois daquilo me deu vontade de puxar seus ralos cabelos pretos.
- Foi uma aranha, Paul.
- Aun, minha filhinha tem medinho de aranha.
     Depois dessa não agüentei. Explodi.
- Você sabe muito bem que não tenho medo de bicho nenhum! Foi só no susto! E outra coisa que você sabe bem
é que não sou sua filha.
     Nas últimas quatro palavras eu berrei. Depois disso subi para o meu quarto. Ouvi ele me seguindo. Cheguei e tranquei a porta.
- Você vai ver quando você sair daí Valkyrie, você vai ver!
     Virei-me. Encontrei a última pessoa que esperava encontrar no meu quarto fazendo a última coisa que eu esperava que fizesse.
     O meu roliço meio-irmão Kyle estava lendo um livro. Kyle tem onze anos, está na segunda série do fundamental (isso mesmo, ONZE anos. Bota burro, né?) e odeia ler. Então berrei.
- Kyle, o que está fazendo aqui?
- Valkye, que susto!
- O que você está fazendo aí?
     Fui para perto dele e peguei o livro. Era um que eu nunca tinha visto na vida. Chamava-se “Aritimética para mentes fracas”.
- Porque você está lendo aqui?
- Eu não queria que me descobrissem lendo isso.
- Por quê? A única coisa nova aqui é que você está estudando aritimética. Eu sempre soube da mente fraca.
- Sai daqui sua chata!
- Porque eu sairia do meu quarto? Sai você!
- Então tá! Tchau, de preferência para nunca mais.
- Peraí, do que você tá falando?
     Ele me mostrou a língua, pegou o livro, destrancou a porta e saiu correndo. Eu mais que depressa tranquei a porta novamente.
     Daí eu pensei “Como eu vou para a escola?”. Não me entenda mal. Não sou muito de estudar, mas tenho meus amigos. Tenho Sandra, que é ruiva dos olhos verdes e fera na cozinha, Bart, o loirinho maroto, nunca perde uma cesta e é lindo de se ver no skate, Jannete, minha best dos cabelos e olhos castanhos, adora plantar tudo o que vê pela frente e lê tanto quanto eu. E, é claro, meu namorado Shai. Um lindo indiano com cabelos negros e olhos claros, entre o azul e o verde.
     Babando pelo Shai, pensei que o método de fuga padrão seria ideal. Minha mãe entregou meus lençóis
ontem à tarde, (ela nunca faz minha cama, o que significa que ela está sempre desarrumada. Ela diz que eu tenho que arrumar, mas eu simplesmente não tenho paciência) o que me diz que dá para sair pela janela.
     Amarrei quatro lençóis um no outro. Teria que passar pela janela da cozinha, mas eu nem ligava. Até queria que eles me vissem. Amarrei o primeiro lençol no armário e joguei os outros. Saí pela janela.
     Quando eu cheguei ao chão, olhei para a janela da cozinha e fiquei ouvindo o que eles estavam falando.
-... ato Saint Antoine, é para onde ela vai.
- Tem certeza que é necessário, querido?
- Sim, querida, tenho.
     Depois de ele falar isso, ele se virou para a janela. Eu mais que depressa me abaixei, mas não estava em meu dia de sorte, como eu já disse. Ele colocou a cara para fora da janela. Olhei para o seu cavanhaque em forma de “v” e pensei, “Cara, porque ele não corta isso?”. Neste exato momento, o cavanhaque começou a pegar fogo e o Paul olhou para baixo.
- Mas o que... Valkyrie?
     Não pensei duas vezes. Corri.

4 comentários:

  1. Simplesmente amei!!! Uma abordagem instigante e interessante, livre, leve e solta. PARABENS!!! SUCESSO!!! Te amo, bjs.
    Sonia Amaral

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. obrigado Sônia (tenho que manter a identidade)

      Excluir
  2. Adorei! LOL! ^^ Então temos um futuro escritor aqui? Vai nessa que tá mt tri...
    (Greice)

    ResponderExcluir
  3. Obrigado, amiga. To trabalhando na 5ª parte agora.

    ResponderExcluir